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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A graça de morrer

Estamos sempre morrendo. Cada minuto que passa é uma pequena morte que acontece. Não morremos apenas nos minutos, mas também nos acontecimentos. Morremos para tudo que fazemos e a estas mortes nós chamamos de 'passado' ou 'nossa história', e disto temos saudades.
Quanto mais envelhecemos, mais vamos alimentando saudades das pequenas mortes que foi nossa vida. Até que, um dia, acabamos de vez de ter saudades da vida e se instala, em nós, definitivamente, como desafio último, a saudade de Deus. A isto chamamos de morte.
Morrer é voltar para Deus e isto o fazemos desde o instante em que nascemos. Nascemos cheios de cuidados e morremos na impotência, mas cheios dos cuidados de Deus. Ultrapassada a porta final desta vida, vamos encontrar um grande e bom Pai, de braços abertos, com um grande sorriso, nos dizendo e perguntando: " Que bom que você voltou! Como é que foi a vida, meu filho?". E nós diremos: "Foi ótima! Mas bom mesmo é estar, agora, aqui! Contigo!
                                     
Frei Neylor J. Tonin, OFM

sábado, 28 de maio de 2011

Exemplo de Fortunata Gargnin: A vida está em suas mãos

No Rio Grande do Sul, Vila Cruz, interior de Nova Palma, aconteceu um fato de rara heroicidade materna:
Numa manhã fria de julho de 1929, na pequena propriedade rural de Sebastião e Fortunata Gargnin, o casal juntamente com seis filhos pequenos, moía cana-de-açúcar, num rústico engenho de cana, movido por força animal. Sebastião tocava os bois enquanto Fortunata, então com 27 anos, alimentava as mós com cana. Em dado momento sua mão esquerda tranca entre dois cilindros de madeira. Ré nos animais depressa. Mas era tarde, da mão apenas sobrava bagaço, era o começo de muitas horas de dor.
A viagem de carroça até o hospital de Dona Francisca, distante 50 quilômetros, durou 10 horas. No hospital de limitados recursos, a sentença do médico: amputação total com anestesia geral- naquele tempo por inalação de éter. Fortunata falou: - Doutor, estou grávida de três meses! Ao que o médico respondeu: - Vamos ter que sacrificar a criança. Então ela hesitou: - Não, jamais...! Então, pode cortar sem anestesia...! E assim se fez. Em sete de fevereiro de 1930 nasceu o fruto de tão heróico sacrifício, não era um só, mas sim dois meninos.
Quarenta e dois anos depois foram ordenados sacerdotes, por Dom Érico Ferrari então bispo de Santa Maria.

(Extraído do Jornal "Novo Milênio" de 20 de outubro/97)